quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Carta Pra Ela


Ana,

Que a gente faz quando o tempo leva uma vida toda pra chegar? Este tempo que é de chuva, que me prometeu. Não há nada a se fazer. E tu tens me dado tão poucos minutos no telefone, Ana. Tenho ficado perdido nessa cidade com nome de santo. E só o nome. Mas todos aqui parecem estar sempre chorando. Todos são tão sós, mesmo em mesas de bares cheias de almas. Te mando uma foto depois, criança. Aqui é sujo como em nenhum lugar. E nossos caminhos parecem sempre tortos. Eu me sinto triste só de olhar os outros sorrisos. Porque os sorrisos estão sangrando.
De um jeito sóbrio nascem os dias. Sob escombros de uma guerra perdida. Talvez não haja mesmo com o que se perturbar. Mas tudo perturba. Tudo parece trair o escuro. Tudo é corrompido. E tudo, ao fim do ciclo, parte.
Preciso ir embora, criança. Mas antes devo te dizer que as chaves não estarão debaixo do tapete dessa vez.
É tempo de seca. E eu sinto que mais ao sul o inverno chegou mais sereno. Talvez eu vá para lá. Te encontro na estrada, quem sabe..
Mas, sabe criança, em seu devido tempo, tudo renasce. Assim, não sucessivamente. Tudo. Ao tempo que lhe faz mais bonito.

Carregando a saudade no colo,
Edgar.
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