sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

* carmina

Nas mesas de bares imundos cheios de mentes tão obscuras quanto vazias que aspiram a chegada do fim, há poesia. No fim da rua, virando a esquina, ao lado do lixo, cheirando à morte, sem expectativa, há poesia.

- Ah, a poesia é bonita. Dama imaculada de belos cabelos com toque suave e som de chuva. A poesia é limpa, livre, leve. Alheia à podridão do vasto mundo pecaminoso onde os homens se deitam.

Não, meu bem. A poesia também é triste. Mulher ingrata, que move o tempo. Seduz os homens de bem, e condena os homens de mal. Vil, como o fundo o poço. O mais profundo andar do mundo. A poesia também é escura. Amante dos amargos, dos infelizes. Dos que esperam o que não volta. Dos embriagados e perdidos. O que mata, e faz viver.



Elisama Oliveira
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