domingo, 6 de maio de 2012

Tempo,que de vasto não tem nada.

Ontem escrevi seu nome na ultima folha do caderno e esperei a nostalgia  derreter cada pedaço de mim.Não deu certo.Nunca dá.Não mais.E não entendo como eu posso querer me deitar sobre a falta e chamá-la mais para dentro de mim.Não falta.Eu sempre fui certa de disso,e incerta de viver.Inquieta.
Nunca me perguntei porque todo esse apego às coisas tristes.Nunca me fiz lembrar a razão pela qual gosto mais do cinza do que de vermelho.Vermelho que só fazia bonito no céu,quando o dia nascia com um sol à menos.Quando a vida amanhecia manhosa.Quando a vida tinha cheiro de flor venenosa.Eu me via deitada sob um velho e antigo sonho sem virgulas de incoerência e qualquer morfologia.Não me faziam sentidos esses feitos.Queria que fosse assim,tudo uma bagunça,que fosse nossa.


É um anjo que se perde.Uma vida que se adianta em nascer por conta da irracionalidade.É um poço que fica mais fundo à cada morte.É um cantor na praça que nunca vai gravar um disco,e outros que gravam besteiras.É o velho ficando louco,e o jovem ficando velho.É o tempo.Nos contaminando dia após dia com essa letargia.

Me leve,ah sim,me leve.Até o mais alto sonho e não me largue.Me entorpeça de palavras amargas.Me derreta e desenrole os fios do meu cabelo.Até que não haja mais tempo.Até que o mundo acabe,e seja vasto como o quê.Mundo vasto,tempo inquieto.Todos conspirando contra minhas camisas amassadas.Tem canto,tem medo,tem briga,tem poesia,tem palavra e falta dela,tem mentira e toda indisposição.Tem tempo.E muito tempo por nada.


É Drummond,mais vasto é meu coração.




                                                                                                                                      Elisama Oliveira
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